sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Bolhas flutuantes


'Descobri a força de um olhar no breve momento do encontro perdido e sincero entre nossas mãos.
E tudo está flutuando sobre nós, envoltos em bolhas e subindo sem fim.
Abismo ao contrário.
Flutuando entre flores, é tudo o que sinto agora, diante de ti.
Sem medo e rancor estou a mergulhar, segura-me.
E tudo se encaixa entre os dedos.
Todos os nossos órgãos se encontrando e células se fundindo e inundando todas as minhas veias e artérias e a pele que pinga, suor frio e quente. E cá estamos nós.
Como se soubessem o que cada um de nossos corpos quer, que a alma grita dilacerando os ossos, que o peito quer pular como em um abismo profundo de amor.
Aqueles olhos pequeninos que sempre me hipnotizaram em harmonia, como os fios enroscados nos dedos, todas as tuas poucas palavras escorrendo como melado na boca.
Espero com tudo que posso oferecer nas mãos, todo meu sangue correndo em sua direção e aquela saudade em fim, como se todos os balões fossem soltos ao mesmo tempo, tudo tão alto pra poder pegar, mas tão lindo, tão lindo meu amor.
Não sei onde vamos estar, mas estamos juntos como é para ser.
E tudo está como está.
E tudo que eu posso dizer, todos os dias, é que ele me completa como um quebra cabeças e que quebro as regras do jogo por esses pequenos olhos, até explodir em mim tanto pulsar.
È tanto amor a envolver nossas almas que quero saltar, quero soltar as redias e estou a fazer por ti, por mim...eu e você e tudo que há ao redor.

Sinta. todo amor.
Saiba...
Somos nós, o amanha.'

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Olhos a brilhar


'Há se tu soubesse
Que esse amor em mim floresce
Que brota mais galinhos
E que as folhas verde estão!

Há que o sol não aparece
Mesmo assim tu não padece
Entretanto a chuva vem
mas não leva quem se tem

Seus olhinhos são tão belos
Mais castanhos que amarelos
E tão meigos a fitar

Os meus olhos tão carentes,
Mas que agora estão contentes
Feito em mim só pra te olhar.'

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Melodia, dia a mais


'Agora a canção voltou a tocar
Não é só mais um olhar perdido
Não sou só um pedido aflito
A canção invadiu meu lar
meu corpo,
e tudo que vive em mim

Voltei a sorrir, enfim

E o meu sorriso quer pular de mim
Meus olhos que brilham
Mais que a luz daqui
Mais que os olhos da multidão
Flores e cores,
E frio no verão

Melodia, dia a mais
O tempo enfim voltou a parar
A eternidade vem nos acolher
Pra eu voar com você
Para o mais belo amanhecer
Até o fim do mundo voltar

Os braços que envolvem
Amado aconchego
Não há fim nesse apego
Não há medo que abale
O amor de nós
Não cale tua voz!

Me ame,
Me inflame
Estou pronta e eterna
Sempre, sempre
A te fitar.'



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Janela


Senti pingar uma gota, uma única gota no chão, que logo se desfez em fumaça.
Tudo que é fumaça e some aos olhos, volta cinzento ao amanhecer.
Os olhos me cercam, me fecham e massacram.
E esses são anjos caídos que Deus não quis guardar.
Tudo que pulsa, vai voltar.
Tudo que escorre, como os olhos.
Os olhos secam.
Os olhos dos outros me secam.
Estão todos me olhando, o que há?
Feche a janela!
Feche a janela!
Feche os olhos!

Pinga suave e maciço, rios e mares e areia sob os pés.
Eu sou areia.
Sou mar preso em copinho de papel.
Olhos que pulsam, dilacerando grades.
Estão todos me olhando, o que há?
Abra a janela!
Abra a janela!
Abra os olhos!

domingo, 4 de dezembro de 2011

entre,


De que adianta fingir, com sorrisos e gracinhas?
Se de manhã ainda quero fugir.
De que adianta, a mim, não pensar como é, como será?
Se já vivi, com você, e descobri o amor.
De que adianta fugir, de mim, ou de ti?
Dá na mesma, é tudo igual.
Então estou encurralada, e preciso escolher?
Deus isso é injusto, minha vida é a dois.
'Gastei toda minha sorte quando te encontrei.'

Vivo entre virgulas, assim, sonhando conciliar o amor e o sonhar.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Muro


O menino caminha.
E o sol racha-lhe o couro ainda jovem, tão gasto. E os lobos famintos (não mais que o menino) uivam ao meio dia.
O menino pensava que na parte de cima do mundo o sol queimava mais, estava mais perto. E ele via, na plantação torrada, sua certeza pingar em gostas quentes de suor.
Mamãe apague o cigarro, o calor já não te basta?
Mas mamãe parece não ouvir o sol torrando, seu filho gritando faminto ao meio dia.
Dia e meio se passaram, e passam assim os dias ensurdecendo mamãe, cozendo o caldo ralo e papai cadê?O sol torrou?
Menino quer uma bola, que não seja como aquela logo acima do seu chapéu, quer bola pra brincar, cansou de ver agua secar.
Queria ver mamãe sorrir, queria ver a chuva cair e talvez, quem sabe assim deixaria o sol menos quente.
O menino caminha e caminhando chega num muro.

domingo, 27 de novembro de 2011

Enterra minha voz


'Quanta máquina, maquinário
Quantos sonhos no armário
Vento sopra e nada leva
Vento sopra e tudo enterra

Quantas pontes a cair
Quantas vidas tem por vir
E você tão só assim
E você tão triste assim

Pra que medo de morrer
Pra que esse entristecer
Se enterrado e frio está
Se enterrada a voz está.'