terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sutilezas de um pássaro


'Não me julgue assim.
Existem tantas formas de amor.
O passarinho que ontem sorriu pra mim, me parecia tão gentil.
De nobre sutileza.
Abraçou-me sem ao menos saber meu nome.
Nomes não significam nada para seres que voam.
Olhos sim.
Eu vôo com meus olhos.
Era pra nascer passarinho, mas não deu certo não.
Passarinhos são livres, mas eu me prendo a tudo.
Todo galho e raminho de flor.
O chão me prende, mas a alma não.
Gosto do modo que falam comigo...os pássaros.
Pássaros não reparam em pele, pelo, cor de cabelo ou cobertor.
È só o terno olhar de pássaro que é bom.
Não me julgue assim.
Pássaros apenas olham, e isso basta em mim.'

Juliana Galante

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vago


'Sei exatamente quem sou,

Mas nao sei o meu lugar.

Parece que não me encaixo nos espaços vagos desse mundo.

Queria conhcer mais mundos por ai

Sozinha.


Então não me siga, estou louca.

Dançando, nua de mentiras,

Exorcizando a música invisivel

Onde ninguém pode me ver.

Sorrindo a dualidade de ser só.

Destinada a não ter destino algum.


Cansei de esperar a boa vontade

de seres que só aparecem quando lhes convém...

de resto, são invisíveis.


Sou só!

Nasci só!

E escolhi isso.

Já que só quem me compreende,

Sou eu mesma.


Não se engane.

È preciso ter coragem para assumir a solidão

Estando rodeado de pessoas.

E eu já tenho.'


Juliana Galante



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Castelo azul



'Eu tinha construido um castelinho.
Um lindo castelinho.
Ele era azul escuro, com flores no jardim.

Um belo dia, ele explodiu.

Sim, parece que tacaram uma bomba nele da noite para o dia

E num piscar de olhos tudo desabou...

O problema, é que eu estava morando lá, e fiquei sem abrigo.
Hoje estou morando no vazio que sobrou do meu castelo.

No vácuo, no rastro dos pedaços, dos destroços que sobraram.

Não sei se devo recontrui-lo, ou se posso fazer isso.

Ou apenas guardar os cacos, no vácuo que sou eu.
O problema é que o castelo era o que eu tinha de mais acolhedor na vida.

A vida de um dia no vácuo dói.
E os pedaços do castelo, onde estou deitada agora, são uma esperança.

Uma esperança de um ponto final, ou de uma virgula.

Uma virgula não seria nada mal.

Mas meu castelo não fala, e não sei o que ele quer de verdade.
Só sinto.

Sinto que o fim não chegou, não era hora, foi de supetão...

E ninguém mandou.'


Juliana Galante

SURPRESA!


‘Hoje, eu tô buscando forças pra conseguir acordar amanha.

È tudo tão recente, tão sensível.

A pele rasgando como tecido velho, o coração parece uma laranja murchando, cada bater é mais lento. E não sinto dor, o que não é bom!

Não sinto nada.

Não vejo, não ouço, não sinto nada.

É como se eu acabasse de ganhar um presente, e abrisse com voracidade, e lá dentro do pacote tivesse a surpresa mais marcante da minha vida, aquela que jamais esperei. Mas não era um presente, e a surpresa foi a pior possível.

Estou fraca, estou sem rumo, sem chão.

Não sei que dia é hoje, nem amanha..e nem quero saber.

Não sei o que fiz, o que vou fazer.

Acabou as forças, as palavras.

Então paro por aqui.’

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ama-rou-Me amarou!


'Não chore menino
Não chore!
Tô indo te socorrer!

Não corra menino
Não Corra!
Sou fraca, posso até morrer!

Não morra menino
Não morra!
Assim eu não posso viver!

Mas viva menino
Mas viva!
E eu vivo contigo de vez!

Mas veja menino
Mas veja!
Não é facil ser tão feliz!

Mas tente menino
Mas tente!
Que parado nada se faz!

Não fuja menino
Não fuja!
Se te perco, me perco também!

Mas ame menino
Mas ame!
O amor é o que te convém!

Mas reze menino
Mas reze!
Pra que Deus só nos diga amém!

Te amo menino
Te amo!
E isso é o que me faz bem!'


Juliana Galante








Você, eu..Breu


'Um dia caí.
Caiu.
Caimos nós dois!

Na rua
Na grama
Na lama
Na cama
Do prédio
No tédio
Melhor levantar!

Um dia cai,
N'outro levanta
N'outro dia,
Quem em pé está
Cairá na dança!

Te escondi,
E ninguém vai te ouvir
Mas não chore
Que eu vou correndo p'raí!

Te dou um abraço
E ficamos bem!
Vem cá
Pro's meus braços
Aperte
Esse passo
Meu corpo é moldura pro teu!

Foi Deus quem me prometeu
Que o vento que ca trouxe o teu
Me trouxe com ele e te deu

Te digo:
És meu, sou tua!
Na rua
Na grama
Na lama
Na cama
No predio
No tédio
No breu!'


Juliana Galante

Dança Nossa, dança!


"Ele:
Te prendo e te levo comigo
Te guardo
Te amarro
Te amasso
Entre um beijo
Desejo
De meio
Começo sem fim!

Ela:
Me solta e voa também
Me ajuda
Me escuta
Me acuda
Colinho
Quentinho
Carinho pra mim!
Eles:
Nós dois ou um só?
Dançamos
Cantamos
brincamos
Amor
Amorzinho
Vem sorrir pra mim!'


Juliana Galante