sábado, 15 de outubro de 2011

Memórias de um canteiro


'Largue meu colo,
desenrole dos meus cabelos
cisco dos meus olhos
salte dos meus seios

razão de minhas memorias
limpe estes seus lábios
me conte outras histórias
a sós, longe dos sábios

a sós nós dois ficamos
e tão logo o terceiro
devolva estes meus ramos
que roubei do teu canteiro

Eu colo nos teus lábios
sob olhos de um terceiro
E choram meus sábios seios
entre os ramos dos teus cabelos

Ficamos sem as histórias
das memórias de um canteiro.'

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Olhos de ressaca


'Estes olhos de ressaca.
te engolem
te devoram
e regurgitam em prazer.

E o que se pode fazer?

Ah, minha bela donzela amarga
minha cachaça,
minha menina,
minha malvada!

Pulo da sacada?

Experimenta o veneno destes olhos
profundo e infame.
Enfatizando o perfume doce
dos cabelos negros, mil laços

Me jogo nos teus braços?

Malditos olhos de ressaca!
ruminando lágrimas no lençol
do mar vermelho.
No vermelho desta cama.

Me ama?

Soa inconstante, não soa?
Olhe estes dois túneis negros.
Tens medo?
Não!

Mergulho então?

Afunde.
Mas volte pra superfície
Oh, divina lágrima,
profunda fumaça

Olhos de ressaca...
deixe-o descansar
no mar. '

Juliana Galante

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

'Ah, o amor!
È sempre o amor....
Responsável por causar os sorrisos mais intensos e os sofrimentos mais eternos.
Mesmo assim, insistimos em confiar no amor..uma vez mais. E para sempre.
Se um dia desistirmos do amor, estaremos todos condenados ao vazio dos seres abióticos da terra.
... Nada há de mais contraditório e nescessário que o amor.'

Juliana Galante

domingo, 18 de setembro de 2011

Memórias das 07:15


'Acordei em desespero.
O coração pulsando, olhos arregalados no horizonte.
O relógio marcava 07:15 como na primeira manhã de inverno, juntos.
Era frio, mas insisti nos casacos, e fui ver o mar.
Na realidade, o que eu queria mesmo era ver a areia. A mais fina areia de uma praia já deserta.
Sem conchas e pedras, sem ninguém.
Sentia o vento forte se aproximando de meus cabelos grisalhos, mas desta vez ... desta única vez não me apavorei. Caminhei sem tirar os olhos do horizonte e meu corpo flutuando como bolhas de sabão.
Então, com todo aquele frio, minha alma sentia calor. O calor dos braços teus.
O fogo do teu coração junto ao meu corpo e aqueles seus olhos pequenos, sorrindo para os meus grandes e chorosos, logo acalmava minha alma.
Tirei meus casacos, em seguida meu corpo também sumiu, estava pura de vícios e matéria naquele instante.
Era apenas a mais pura e calma alma.
Caio de joelhos então, sobre a areia, minha areia. Areia que estava ainda quente, com marca de pés descalços.

Olhos abertos, redondos e imóveis. Não podia piscar!Não, não queria ver aquilo com os olhos da alma.
Minhas mãos estavam tão apertadas, um elo entre as suas, como pode...
Como pode?
Quis fechar meus olhos e voltar a ter cabelos escuros como a noite, as rugas sumiriam e tudo estaria bem como naquela manhã, ás 07:16.
Porém a praia estava fria naquele minuto, e o silencio me corroía como ácido na carne.
E, você assim como a praia, frio sublime.
Como a areia que dançava com a ventania, partiu,
Por entre os dedos de minhas mãos você se foi... não pude segurar seus pequenos grãos.'

domingo, 11 de setembro de 2011

Das memórias de um cadáver


'Hoje senti a morte me levando
Foi difícil de aceitar
mas não doeu.

Hoje senti o breu dos olhos teus
senti o hálito de enxofre e os gritos
Esta noite foi o meu caos!

A agulha furando minha goela
a pontada no ombro esquerdo
as memórias de um cadáver

Senti a escuridão me comer
e não doeu
Hoje senti os vermes me limpando
e a solidão companheira me acolheu

Esta madrugada no velório
me dá vertigem ao ouvir os améns
Sinto as velas velando
esta minha insónia eterna

Hoje guardo neste caixão
as memórias de um cadáver
e posso enfim viver morta
no meio do caos,
que é essa minha alma .'





segunda-feira, 29 de agosto de 2011

...ESPERANDO...


EU SOU UM PUNHADO DE CAQUINHOS ESPELHADOS PELO CHÃO, NA ESPERANÇA DE ACORDAR DESSE PESADELO... E SIGO ASSIM, ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... CHORANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ESPERANDO... ...

domingo, 28 de agosto de 2011

Prece em preto e branco


'Deus, me leve daqui!
Nada faz sentido agora.
E os nossos sonhos?E o nosso futuro?
E agora Deus?

Esqueci como se vive.
Esqueci de limpar meu quarto,
e meu violão que estava limpo, encheu de pó
Esqueci de me vestir, e nem notei

Não sei como se respira
Não sei mais falar
perdi a razão,o meu coração

Mas as memórias estao aqui
Pulsando, cantando pra mim
...E está tudo sem cor agora
está tudo sem cheiro, sem gosto.

Tudo está tão distante agora..
e nada faz sentido pra mim...
Meu Deus, traga de volta o meu amor
Ou me leve daqui!'