quarta-feira, 31 de julho de 2013

Incompletude

"E na minha estupidez, vi o meu redor, com olhos já cansados, como quem carrega cem anos a mais que o mundo no olhar.
Era escuro, empoeirado, cabelos prateados, rugas e cair de dentes.
Como não me embrutecer? Sim, creio nos meus ideias.
Mas foi natural esse fazer ficar bruto o que um dia já, macio, risonho se fez pó.
Ocasionei o embrutecimento de me tornar estúpida, doce, azeda...
Foi assim que me deitei abaixo e demoli meu ímpeto.
Cheguei a ruína, arruinada. Busquei fazer desaparecer todas essas minhas desavenças sucessivas desmoronando o que sou no instante, recém-criada.
E ao cair, vindo abaixo com estrondo: desmoronou-se (ou desmoronou-me) uma porção de nós, de mim. E ao perecer, aniquilo-me.
É o império de sonhos que desmorona. Meu, unicamente meu, na minha incompletude.
E me deparo (mas não paro) com devaneios, utopias. E olho ao lado, pessoas, seres, coisas. Coisas vãs, fúteis, que se esvai: a vida é mais que isso. Mais que prazer, arder, gemer. Mais além, que ideia acalentada, ideal.
Desejo intenso e vivo, da própria vida e além-vida mundana que de esvai.
A parte que provo da vida é mais amarga que o seu bolo de farinha e ovos, muito fofo, e revestido de açúcar... porém é muito mais profunda que o oco do seu estômago adocicado. "